“Quando o algoritmo é o chefe”
colonialismo digital e a nova era da escravidão plataformizada
DOI:
https://doi.org/10.65253/conexoes.19.2026Palavras-chave:
Colonialismo digital., Plataformização do trabalho., Trabalho.Resumo
A expansão das plataformas digitais e da inteligência artificial tem reconfigurado as relações de trabalho no capitalismo contemporâneo. No Brasil, esse processo articula-se historicamente à informalidade, à precarização do trabalho e às permanências estruturais do colonialismo e do racismo. O objetivo deste artigo é demonstrar como o colonialismo digital atualiza e reorganiza relações históricas de exploração e expropriação do trabalho no país, evidenciando continuidades entre a lógica colonial-escravista e as formas contemporâneas de trabalho mediadas por plataformas digitais. Evidencia-se que a gestão algorítmica opera como mecanismo de controle e extração ampliada de valor, capturando não apenas a força de trabalho, mas também a subjetividade, os dados e o tempo de vida dos trabalhadores e usuários. Ademais, identifica-se que tais dinâmicas incidem de maneira racializada, reproduzindo desigualdades históricas vinculadas à formação social brasileira e à herança escravista. Conclui-se que a plataformização do trabalho não representa ruptura com formas históricas de dominação, mas sim sua atualização tecnológica. O colonialismo digital aprofunda a captura da vida humana pelo capital e reforça estruturas racializadas de exploração. Nesse contexto, a defesa de condições dignas de trabalho torna-se fundamental para a garantia da dignidade da vida humana.
Downloads
Referências
ABÍLIO, Ludmila Costhek. Uberização: a era do trabalhador just-in-time? Estudos Avançados, São Paulo, v. 34, n. 98, p. 111–126, 2020. DOI: 10.1590/S0103-4014.2020.3498.008.
BARBOSA, Daniele. A precariedade politicamente induzida e o empreendedor de si mesmo no caso Uber. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2020.
CARVALHO, Mônica Gurjão. Plataformização do trabalho e desigualdade social: reflexões a partir da categoria dimensão subjetiva da realidade. 2024. Tese (Doutorado em Psicologia Social) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2024.
CRAWFORD, Kate Crawford. Atlas da IA: poder, política e os custos planetários da inteligência artificial. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2025.
FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. Prefácio de Sérgio Amadeu da Silveira. São Paulo: Boitempo, 2023.
FRASER, Nancy Fraser. Capitalismo canibal. São Paulo: Autonomia Literária, 2024.
FEDERICI, Silvia Federici. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017.
KWET, Michael. Digital colonialism: US empire and the new imperialism in the Global South. Race & Class, v. 60, n. 4, p. 3–26, 2019. DOI: 10.1177/0306396818823172.
MARX, Karl Marx. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2011. v. 1.
MOURA, Clóvis Moura. Dialética radical do Brasil negro. São Paulo: Fundação Maurício Grabois, 2014.
MOURA, Clóvis Moura. O negro: de bom escravo a mau cidadão? São Paulo: Dandara, 2021.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da; XIONG, Jie. Índice de soberania digital: o caso do Brasil. Liinc em Revista, v. 21, n. 1, 2025.
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Democracia e os códigos invisíveis. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Mônica Gurjão Carvalho, Márcio Farias

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Essa licença permite a reprodução total ou parcial, em qualquer meio ou suporte, desde que para fins não comerciais e citada a fonte.
Os direitos do texto e a responsabilidade por seu conteúdo são das(os) respectivas(os) autoras(es).




